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Data: 07/02/2010 13:05 h
Michel Temer fala sobre o futuro do PMDB
Michele Temer defende participação do PMDB em elaboração do Plano de Governo de Dilma



Foto: Arquivo
Por: Nomomento.com
Reeleito presidente do PMDB, Michel Temer traduz em números a coesão do partido. Estima que a unidade atinge, hoje, 93% da legenda.

A harmonização de propósitos anima o deputado a declarar: “O PMDB pode ser parceiro num projeto presidencial, mas jamais será subalterno”.

Afirma que a aliança com o PT não depende apenas da indicação do vice. Em entrevista ao blog, diz que a aliança PMDB-PT terá de ser precedida da elaboração de um programa de governo.

O repórter lembrou a Temer que o PT já aprontou o seu esboço de plano de governo. O deputado respondeu que terá de haver uma “fusão”.

E quanto à intenção do PT de tonificar a participação do Estado na economia? “Teremos que encontrar um meio-termo”, diz Temer.

Confira a entrevista concedida ao jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo, e publicada em seu blog, neste domingo, 8.

 

Será mesmo o vice de Dilma? “É o que o PMDB fala [...]. Todos falam que eu posso representar adequadamente o partido nessa parceria com o PT”. Vai abaixo a entrevista:

 
- Como traduzir em percentual a unidade do PMDB?

Creio que está em torno de 93%.

- Não é um contrasenso que esse PMDB tão forte não tenha seu próprio candidato à Presidência?

A demonstração de unidade nos autoriza a dizer que o PMDB pode ser parceiro num projeto presidencial, mas jamais será subalterno. Parceiro vem de par. Portanto, trabalhamos com a perspectiva de uma parceria entre iguais.

- Refere-se à coligação com o PT?

Exato. O que digo é que tanto podemos ter um candidato próprio como fazer essa parceria entre iguais, para governar juntos.

- Falta um nome ao PMDB para pôr em pé uma candidatura própria?

Talvez falte um nome. Reconheço que a tendência mais forte é a de fazermos a aliança. Mas pode aparecer um nome até junho. A nossa convenção, que teve a participação de mais de mil pessoas de todo país, demonstra que há uma vibração interna no partido.

- Por que a tendência mais forte é pela aliança?

Embora as coalizões sejam típicas dos sistemas parlamentaristas, é interessante notar como é indispensável que haja no Brasil uma coalizão, embora o regime seja presidencialista.

- Em que termos se dará a aliança em torno de Dilma Rousseff?

Digamos que seja feita a aliança. Nesse caso, tem que passar por um programa de governo do qual o PMDB terá de ser parte atuante.

- Mas o PT já tem esboço de programa pronto. Vai aprová-lo num Congresso em 20 de fevereiro.

Em primeiro lugar, trata-se de um esboço. Em segundo lugar, o que há de ser feito é o seguinte: o PT faz o seu programa, o PMDB fará o dele. Outros partidos aliados, eventualmente, farão os seus programas. Depois promoveremos uma junção de programas. Essa é a idéia.

- Qual é o programa do PMDB?

Vou designar uma comissão, já na semana que vem, para elaborar um plano de governo. O documento dirá o que o PMDB pensa sobre o Brasil. Depois, havendo a aliança, nós teremos que fundir esses programas.

- Não será uma fusão exdrúxula? O plano do PT prevê presença maior do Estado na economia. Esse não parece ser o viés predominante no PMDB.

Teremos que encontrar um meio-termo. No instante em que o PMDB tiver o seu projeto, essa aliança terá de levar em conta o programa, não apenas a vice-presidência e a participação no governo.

- Como compatibilizar as diferenças?

 É claro que ambas as partes terão de abrir mão de um ou outro conceito para que, dessa fusão, resulte um conceito único.

- A presença do PMDB na vice de Dilma é coisa líquida e certa?

Não há a menor dúvida. Temos até um pré-compromisso escrito com o PT.

- Passada a convenção, o sr. já se sente à vontade para se apresentar como alternativa à vaga de vice de Dilma?

Prefiro manter aquela fórmula segundo a qual a vice é do PMDB e, no momento certo, nós escolheremos o nome. E veja que digo que nós, do PMDB, escolheremos o vice. É claro que vamos dialogar com a candidata, com o PT, mas a escolha será do PMDB. Não sei se serei eu ou outro. Vai depender das circusntâncias políticas.

- É correto dizer que, hoje, o vosso nome é o mais forte?

É o que o PMDB fala. O partido desejou que eu ficasse na presidência do partido por mais um período de dois anos para manter a unidade. E, evidentemente, todos falam que eu posso representar adequadamente o partido nessa parceria com o PT.

- Causa-lhe incômodo o noticiário que apresenta o presidente do BC, Henrique Meirelles, como nome preferido de Lula para vice de Dilma?

De jeito nenhum. Ele pode ser um dos nomes cogitados. Ele está, hoje, no PMDB. Não sei se o PMDB vai achar que ele é o melhor representante. Haverá um momento em que o PMDB dirá qual é o seu melhor representante.

- A palavra do presidente Lula não terá um peso?

Tomei conhecimento de declarações do Gilberto Carvalho [chefe-de-gabinete de Lula], uma das pessoas mais próximas do presidente, dizendo que não há, em absoluto, veto ao meu nome. Ele declara que o presidente Lula aceitará quem vier do PMDB. Diz que jamais vetaria nenhum nome do PMDB, muito menos o meu.

- Está superado aquele mal-estar gerado pela declaração do presidente de que conviria ao PMDB indicar uma lista tríplice de vices?

Isso está superadíssimo. Não vejo mais como falar nesse assunto.

- Quando se dará a definição do nome?

Creio que os meses de março e abril serão decisivos. Até lá, essas coisas estarão pré-definidas. O mês de abril é, para nós, um marco. Mas, em termos legais, a definição virá com a realização da convenção, em junho.

- As pendências estaduais com o PT estão superadas?

Há o caso de Minas Gerais. E precisamos definir bem como se dará a campanha nos Estados em que já foi aceita a hipótese do palanque duplo. Será necessário definir o que significa isso. O presidente e a candidata vão aos dois palanques, não vão a nenhum... Tudo precisa ficar muito bem delineado.

- Acha possível evoluir para uma candidatura do vice-presidente José Alencar ao governo de Minas Gerais?

Não passou por nós ainda essa articulação. Mas existe a idéia de que o José Alencar possa ser candidato a governador com um vice do PT. O Fernando Pimentel [ex-prefeito petista de Belo Horizonte] viria para a coordenação da campanha da Dilma. E ficaria uma vaga ao Senado para o Hélio Costa [ministro peemedebista das Comunicações].

- Acha essa costura viável?

Como não discutimos o assunto no PMDB, prefiro não opinar. Mas lembro que o Hélio Costa reiterou na nossa convenção o desejo de ser candidato ao governo de Minas.

- A velha divisão entre os grupos do PMDB do Senado e da Câmara acabou?

Não se fala mais em grupo. Agora, fala-se apenas num único PMDB. Isso ficou muito bem definido na convenção.




 

 
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